Passeio público de Kazmierz - Cracóvia, Vitor Vicente, Setembro de 2014
Dear G-d,
Não preciso de pedir o teu perdão. Assim como não preciso que me imponhas a punição. Poder, até posso pedir. Tal sempre irá ou deixará de acontecer de acordo com a tua vontade.
Porque tens o pleno poder sobre a palavra e sobre o plano. Porque tens o desprendimento de tão depressa poderes perdoar aqueles que porventura virás a punir, e vice-versa. Ainda que a todos, hoje, ontem e amanhã, igualmente ames.
És, acima de tudo, amor. Um amor atravessado por um imenso abraço e pelo cano de uma espingarda. És, acima de tudo, um pronto-a-perdoar e um pronto-a-punir.
Não nos desvelas a sabedoria dos dias em dogmas, senão nos obrigas a abrir os olhos e a tomar notas. De vez em quando, trocas-nos as voltas para que saibamos que a única direção possível é a do sagrado.
Trata-se de este ensinamento: de nos sabermos e assumirmos livres enquanto estamos supervisionados ao teu consentimento. Perdoa-me então, se aqui em baixo, tenho sido reles e rasteiro, tanto contigo como com aqueles que criaste. Perdoa-me se, sob qualquer cegueira, semeei o sinistro ou se em silêncio estive quando não devia ter estado calado ou se fui surdo ao uivo com que se expressa o sopro do mundo.
Peço-te, continuarei a pedir-te, a oportunidade de ser uma dessas centelhas de luz, uma dessas centelhas com que iluminamos os passos entre o aqui, o agora e o porvir. Peço-te somente isso, além do teu poderoso perdão por todas as falhas que possam tomar parte no meu passado.
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